Tá escolhendo muito, amiga!

Tá escolhendo muito, amiga!

Pode me chamar de “piranha sem critérios” ou simplesmente de “fácil”, mas é tanto mimimi pra ficar ou não com alguém que estamos beirando o tragicômico! Do “desculpa, mas não curto” a uma wishlist de como seria o “homem ideal”, acabamos por dificultar ainda mais um processo que já é delicado por si só: a busca de um parceiro.

“Tá difícil arrumar namorado”. Essa é uma das frases que escuto um bocado por aí. Frequentemente é seguida de reclamações sobre como ou os gays são promíscuos e “só querem saber de curtir” ou de um lamento sobre aquela história que quaaaase deu certo, mas descambou ladeira abaixo. É claro, ninguém se pergunta a própria parcela de culpa nisso tudo!

Entender e negociar com nossos desejos não é tarefa fácil. Somos livres para gostar mais ou menos de qualquer coisa, mas muitos desses estímulos são respostas aos padrões de estética e comportamento aos quais somos expostos frequentemente. Não é por acaso ou simplesmente porque “é melhor assim” que preferimos nossos homens mais viris ou com traços mais europeus do que africanos ou mais sarados do que gordinhos. É por causa da Abercrombie & Fitch!

Nós tratamos as pessoas como produtos a consumir e isso é ótimo para a cultura do sexo casual. Gozar não faz mal a ninguém, e quando um perfil não te agrada, é só passar para o seguinte até encontrar o gato da vez. Isso é maravilhoso porque essa liberdade sexual é uma conquista e diria até que um patrimônio da cultura gay. Entretanto, é quando se procura um relacionamento que a coisa fica mais complexa.

Passado o tesão da primeira ficada, começamos a avaliar – e sermos avaliados em – uma série de coisas: gostos similares, filosofias de vida, posicionamento político, preferências religiosas, aptidões artísticas e até time de futebol. Isso é normal, já que acontece com novas amizades e entrevistas de emprego também. Estamos o tempo todo julgando se X pessoas “servem” para certo papel em nossa vida, seja qual for, e vice-versa. É todo um processo delicado, pois depende que várias coisas se encaixem no que chamamos de “química” e que não podemos recriar artificialmente, mesmo quando encontramos um “bom partido”. Não há como mandar nisso, e várias vezes nos apaixonamos pelas pessoas mais improváveis, então não faz muito sentido criar ainda mais obstáculos ao pedir que os possíveis candidatos sejam assim ou assado.

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Você tem que ser bonito, beijar bem, não dar pinta, saber se vestir, dar como uma puta ou comer como um garanhão, dependendo do gosto do freguês. A exigência de “fidelidade”, no que se refere à monogamia, é negociável, mas também sofre uma pressão social. Agora há novas demandas, como ser vegetariano, acordar cedo, não fumar, não rezar, só assistir filme cult ou dizer que não gosta da Anitta. Dessa maneira, fica realmente difícil arrumar namorado, já que não vivemos num buffet – ainda que o povo se ofereça de bandeja!

Não sei, vai que não tenho critérios mesmo, mas no meu tempo a gente conhecia a pessoa e, se rolasse interesse para algo mais, tentava conhecê-la um pouco melhor… Pagava pra ver! É claro que corremos o risco de esbarrar em algo inegociável, pois tem maluco para tudo, mas construir um relacionamento é crescer com o outro também. É tentar dialogar. Hoje você talvez não consiga fazer seu parceiro largar o cigarro, amanhã de repente você dá um trago, ou ele aceita que na briga Gaga x Madonna, você é “Team Britney” desde criancinha. Faz parte e enriquece.

Da próxima vez que for reclamar de como é difícil encontrar um namorado, pense se você não está “exigindo demais”. Também é bom olhar pro próprio umbigo e pensar no que você tem a oferecer, já que é muito fácil dizer que não rolou só porque o outro não servia e “semancol” nunca é demais.

Menos frescura e mais “chegar junto”, pfvr!

Leia Dando Pinta todas as quartas, aqui em Os Entendidos e não esqueça de curtir a nossa página.

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Escrito por:

Fabricio Longo

Ator e cientista social, criador e editor-chefe do site. Apaixonado por antropologia, cinema e Coca-Cola, é a mente problematizadora por trás da coluna Dando Pinta. Morre de orgulho do legado desse espaço, e segue tentando não ser soterrado por uma montanha de bonecas Barbie e quinquilharias da Mulher Maravilha! Perguntas, críticas e cantadas no fabricio@osentendidos.com.br.

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