Veja só, a heterossexualidade não existe!

Veja só, a heterossexualidade não existe!

Ela é ensinada às nossas crianças a cada desenho lançado pela Disney e a cada casalzinho pretensioso de bonecos. É propagada por fundamentalistas como a única moral aceitável. Ela é defendida e validada pelo Estado através de leis criadas por seus praticantes, que excluem severamente os que discordam dela. É fato: a heterossexualidade não existe!

Veja que coisa, ninguém nasce hétero. A pessoa vai sendo condicionada a ver isso como “normal” desde pequena, até que finalmente reproduz esse comportamento e acaba se assumindo heterossexual. É fácil perceber os mecanismos dessa doutrinação. A definição da cor rosa para as meninas e do azul para os meninos, a constante cobrança para que as meninas sejam delicadas, amorosas, maternais e preferencialmente assexuadas, e o reforço da ideia de que o “homem macho” é pegador. É chocante ver como a mídia tenta, o tempo todo, reforçar essa ideia. Os personagens hétero são uma constante em livros e novelas, e aparecem até na publicidade, associando seu estilo de vida à felicidade vendida nos anúncios.

Hoje em dia, o cidadão não pode nem defender a homossexualidade que já é acusado de “heterofóbico”, “gayzista”, membro da “gaystapo” ou agente da “Ditadura Gay”. Ora, os heterossexuais são uma classe privilegiada! Eles podem se casar, adotar crianças, desfilar por paraísos como a Rússia ou o Irã sem sofrer nenhum tipo de repressão e, embora se digam perseguidos, nunca são vítimas de agressão por sua “opção sexual”!

Podemos falar em opção porque não existe um componente genético que determine a heterossexualidade. As pessoas passam por um período de comportamento hétero e escolhem tornar pública essa condição, se aproveitando do tratamento especial de que goza esse status. É por isso que a heterossexualidade é praticada sem pudores durante as micaretas do Carnaval, além de estar presente em cenas de filmes que são exibidos normalmente, sem qualquer aviso ao público de que tais obras exibam o “amor” hétero.

A existência de milhares de “ex-heterossexuais”, que vacilam e acabam voltando a ter comportamentos gays, comprova o caráter experimental da heterossexualidade. E não sendo ela permanente, qual o motivo da criação de leis baseadas em um comportamento? Que os pastores a defendam nos seus templos é um coisa, mas sair em marcha para fazer propaganda dela, defendendo-a como a única opção moral válida? É um absurdo!

Os heterossexuais querem ser a norma e não medem esforços para impor essa ditadura. Elegem políticos heterossexuais para representá-los e atualmente possuem número expressivo até mesmo no meio religioso, onde sempre foram minoria. Eles usam de sua força econômica – que é muita – para atravancar empreendimentos gays, mediante pressão social. Se engana quem pensa que eles aceitam quando existe algum tipo de restrição a seus atos de homofobia, praticados livremente com termos chulos, chacota à crianças e agressões físicas, por vezes chegando ao assassinato. Eles se mostram revoltados e atacam com furor ainda maior, tentando impor uma “mordaça hétero” aos que ousam levantar a voz contra esses ataques.

O problema é que a heterossexualidade não é normal. Décadas de pesquisa mostram o oposto. Estudos de longo prazo com milhares de heterossexuais comprovam firmes diferenças entre heterossexuais e homossexuais em todas as categorias de estilo de vida: suicídios, abuso de drogas, atividade criminal, direção sob o efeito de drogas e álcool, prostituição, crises psicológicas, etc. Claramente, esses são sinais de um estilo de vida anormal e insalubre.

Sim, é fato que a heterossexualidade não é considerada uma doença, mas isso não significa que ela seja normal ou sequer que exista. Uma coisa que precisa se ensinada e reafirmada a todo tempo, ser martelada na cabeça de todos sem descanso, que se utiliza de violência para ser afirmada e validada, não pode ser natural! Se fosse algo tão bom e tão óbvio, não precisaria ser defendida em artigos de revistas influentes e nem propagada com “beijos héteros” a cada capítulo de novela! Até mesmo a Copa do Mundo, que é um torneio esportivo, serve de palco para flagrante promoção do estilo de vida heterossexual através de peças publicitárias e do endeusamento de jogadores hétero – os gays, se existirem, são invisíveis. 

Não se deixe enganar pelo lobby heteronormatizista. Uma prática que precisa de apoio incondicional, em absolutamente todas as esferas de debate, sem admitir sequer a possibilidade de algo diferente, não pode ser tão “normal” assim. É algo criado. Que não existe. VEJA só!

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Escrito por:

Fabricio Longo

Ator e cientista social, criador e editor-chefe do site. Apaixonado por antropologia, cinema e Coca-Cola, é a mente problematizadora por trás da coluna Dando Pinta. Morre de orgulho do legado desse espaço, e segue tentando não ser soterrado por uma montanha de bonecas Barbie e quinquilharias da Mulher Maravilha! Perguntas, críticas e cantadas no fabricio@osentendidos.com.br.

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