Oh my DRAG!

Oh my DRAG!

Carnaval chegando, bloco das piranhas também, e meia dúzia de festas com tema “Anos 90” me pedindo para liberar o Girl Power e me montar de Posh Spice. É, nada como a festa de Momo para liberar a caricatura de mulher escondida dentro de nós…

DandoPintaSloganNão, ainda não será nesse ano que a minha drag vai nascer. Acho problemático quando homens heterossexuais se vestem de mulher, pois em geral essa “homenagem” é acompanhada de machismo e homofobia, mas os gays “meio que podem”. Não que não sejamos machistas ou até misóginos, mas a vivência da homossexualidade interfere na nossa experiência – como grupo mesmo – da masculinidade.

O Drag é uma forma de arte. Atualmente, a “cara” da comunidade gay – não estou falando de todos os LGBT –  é mais “discreta e fora do meio”. A obsessão por um ideal hipermasculino não é novidade, mas agora que somos virtualmente mais aceitos é mais fácil seguir esse modelo. Entretanto, foram os michês, as pintosas, as travestis e as drag queens que abriram para nós as portas do arco-íris.

O Drag é político, e dá um chute na bunda da normatividade ao mostrar que homens também podem aspirar a um ideal afeminado. E agora, mais do que nunca, ser Drag é ser mainstream.

Em 2009 estreou a primeira temporada de RuPaul’s Drag Race, o reality show americano que resgatou e – melhor ainda – espalhou a cultura drag pelo mundo. De quebra, dores e delícias de toda a comunidade LGBT passaram a fazer parte da rotina de gente que não faz a menor ideia do que é, por exemplo, “fazer a chuca”. And don’t fuck it up!

E claro, tem o humor…

Se há uma coisa que Drag Queens sabem fazer, é divertir. Tal como acontece com os palhaços, quando um artista busca compor uma versão exagerada de si, que é protegida e montada através de maquiagem e adereços, o que vemos é uma expressão de humanidade que revela o indivíduo e também o público. E com um sorriso nos lábios.

Em 2011 eu estava bastante deprimido, trabalhando com algo que não gostava. Foi nesse ano que me juntei com alguns amigos e criei Os Entendidos, desejando que um dia o site pudesse significar para as pessoas o que significava e significa para mim: um porto seguro. Um lugar para ter ORGULHO.

Nessa época o programa do RuPaul estava na terceira temporada e eu já me considerava fã. Entretanto, apesar de ter uma listinha de performers muito queridas, não tinha como me dizer fã de uma drag em especial. Isso mudou no oitavo episódio da temporada, quando o momento decisivo do lipsync for your life entrou para a história com a disputa entre as “Heathers” Delta Work e Manila Luzon!

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Naquele dia, Manila brilhou. A roupa amarela, a careta no timing perfeito, a música incrível da Donna Summer… Tudo ficou na minha cabeça por dias e dias, aparecendo em desenhos que eu fazia no trabalho e finalmente, na customização de uma boneca porque eu simplesmente TINHA QUE TER uma Barbie daquele momento. Esse foi o início de tudo…

Postei uma foto da boneca no Facebook e a Manila me adicionou. Trocamos algumas mensagens, ela deu uma entrevista para o site falando do lançamento de seu single Hot Couture e quando eu tive a chance de viajar para Nova York em 2012, finalmente a conheci:

Sim, o vídeo não é lá essas coisas e eu juro que se retomarmos o canal será em grande estilo, mas o importante é que a Manila é muito especial para mim e para a história do site. Essa foi nossa primeira entrevista internacional e depois disso seguimos cobrindo sua carreira, e choramos com ela quando sua amada Sahara Davenport partiu. No ano passado, quando a Manila se apresentou pela primeira vez no Brasil, a ajudei traduzindo para o português algumas das mensagens que ela queria mandar aos fãs e terminamos “dando um rolê” por São Paulo. Para minha surpresa, a boneca que customizei para ela – com a roupa de Hot Couture, já que a do lipsync é minha – fez uma ponta no lindo clipe de Eternal Queen (no minuto 1:04) e nos acabamos de dançar ao som de “Beijinho no ombro” na balada paulistana.

É por isso que lançar a FABULOSA, a festa d’Os Entendidos, com a presença da Manila é tão especial. A ideia de lançar uma festa com a nossa cara, que resgate o valor cultural desse tipo de evento e misture tudo que existe na diversidade com muito brilho e boa música não é nova, mas só agora está saindo do papel. Em Abril o site completa 04 anos, e essa coluna celebrará 02 aninhos agora, no fim de Fevereiro, então não tinha data melhor para a nossa festa do que o meio de Março. Será – literalmente – fabuloso!

É, talvez eu não precise me preocupar em usar o carnaval para libertar a minha drag. Ela já está aí rodando o mundo, e em um mês estará #DandoPinta aqui no Rio. Weeerk!

Permita-se. Seja livre. Seja fabuloso.

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Escrito por:

Fabricio Longo

Ator e cientista social, criador e editor-chefe do site. Apaixonado por antropologia, cinema e Coca-Cola, é a mente problematizadora por trás da coluna Dando Pinta. Morre de orgulho do legado desse espaço, e segue tentando não ser soterrado por uma montanha de bonecas Barbie e quinquilharias da Mulher Maravilha! Perguntas, críticas e cantadas no fabricio@osentendidos.com.br.

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