Um brinde à bicha machista!

Um brinde à bicha machista!

Um brinde às bichas machistas! Vocês arrasam. Arrasam com o movimento, arrasam com qualquer paciência, arrasam com nossa alegria de viver. Machismo, misoginia, homofobia, lesbofobia, transfobia… Realmente, essa hidra tem várias cabeças. Só falta algumas começarem a pensar!

DandoPintaSloganUm brinde à bicha machista, que mata com sua censura e suas palavras duras, para tentar se incluir onde jamais será aceita.

Bicha, olha o desserviço! As mulheres, os efeminados e as pessoas trans continuam a ser tratados como “o lixo do lixo”, enquanto a imagem do “gay ideal” ganha ares de respeitabilidade. Entretanto, esse seu “benefício” é falso. Para quem é normal, somos os anormais. Somos os transviados, somos os degenerados… Somos “tudo puta e viado”.

Por que existe estranhamento quando se ouve falar da bicha que bateu em mulher? Por que “não encaixa” quando um homem gay – por mais politizado que seja – “derrapa” na transfobia ou vomita em seu nojo por uma vagina? Ora, esperaria-se que a posição de oprimido que ocupam os homossexuais servisse ao menos para estimular a empatia, mas de alguma forma a dominação masculina encontra meios de exercer seu poder.

Ser gay é uma falha, já que é ser essencialmente feminino. Isso não tem nada a ver com “dar pinta”, pois o tribunal social é muito menos sutil. O cara pode ser “macho alfa” o quanto quiser, e ter todos os atributos do “Deus Homem”: corpo de Adonis, rosto de Apolo, disposição de Dionísio e a piroca de Príapo. Se ele gosta de outro homem, é uma bicha. E uma bicha é mais desprezível do que uma mulher, porque é um homem que se nivela por baixo. É o privilegiado que desce do pedestal e com isso, ameaça a posição dos demais. É o maior de todos os pecados, quase um sacrilégio. E mais, que talvez os transhomens sejam os maiores pecadores. Onde já se viu uma pessoa com vagina reivindicar o status da masculinidade, né?

Esse é o “pensamento” que reina e que, principalmente, mata.

E já que é assim, não faz sentido que alguém se surpreenda com o machismo entre gays. No básico, justificaríamos dizendo ser apenas uma estratégia de defesa ou uma manobra desesperada por aceitação. Um jeito de fugir da próxima lampadada, de repente atirando “alguém pior” no caminho. Quem manda esse povo não se dar ao respeito, não é mesmo? Mas quem sabe, de repente é só maldade mesmo. O jeito torpe de degustar a superioridade ao inferiorizar o outro. Um jeito de homem, talvez?

Um brinde à bicha machista, pois seus dias estão contados. Pode até demorar, e será preciso afetar a política, a religião e a filosofia, mas as rachaduras já aparecem. Não é possível carregar o mundo nas costas, ainda mais quando esse mundo não o autorizou a fazer isso.

Burrice e injustiça vão existir sempre, mas não dá para reverter o relógio do progresso. Tudo está cada vez mais rápido e mais conectado, e o fetiche do individualismo está fazendo com que cada vez mais pessoas reclamem por seu espaço e por sua identidade. Essa parada de “exército dos fortes” e gênero dominante não tem como se sustentar.

A graça disso tudo é que se o machismo cair, todos se beneficiarão. A bicha machista será aquilo que sempre foi para qualquer homem, uma bicha e nada mais. Porém, isso não será considerado um defeito. Ela não será alçada ao posto de superioridade que tanto defende porque esse lugar simplesmente não vai existir. Agora me digam se não é algo a celebrar?

Parabéns, bichas machistas. Vocês estão fazendo tudo certinho. Ao expor a nossa burrice, as nossas contradições e a nossa homofobia internalizada, mostram o nosso pior e nos ajudam a exorcizá-lo. Bater em mulher é crime, mas a agressão sistemática a tudo que é lido como feminino é a praxe do dia a dia. Ser gay não é crime, embora seja frequentemente punido com a morte. Ser gay também não é ser mulher e muito menos querer ser, mas é visto como um atentado à santa masculinidade – aliás, a pena capital é por causa disso.

O gay machista está se destruindo de dentro pra fora e merece um brinde. Saúde! Pela Deusa, essa é a sua saideira!

Permita-se. Seja livre. Seja fabuloso.

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Escrito por:

Fabricio Longo

Ator e cientista social, criador e editor-chefe do site. Apaixonado por antropologia, cinema e Coca-Cola, é a mente problematizadora por trás da coluna Dando Pinta. Morre de orgulho do legado desse espaço, e segue tentando não ser soterrado por uma montanha de bonecas Barbie e quinquilharias da Mulher Maravilha! Perguntas, críticas e cantadas no fabricio@osentendidos.com.br.

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