RPM – 30 anos de “Revoluções Por Minuto”

RPM – 30 anos de “Revoluções Por Minuto”

Impossível falar sobre o movimento de rock nacional e do new-wave que explodiu nos anos 80 sem citar a banda RPM,  quarteto formado por Paulo Ricardo, Luiz Schiavon, Fernando Deluqui e Paulo Pagni. Há 30 anos, o grupo estreou na cena musical com o disco “Revoluções Por Minuto” (acrônimo para o título da banda), um divisor de águas do BRock.

nossa senhora do comebackO álbum foi listado entre os “Cem Maiores Discos da Música Brasileira” pela revista Rolling Stone e todo o mérito baseia-se pelo fato de não haver, até então, uma banda de tamanha suntuosidade tecnológica e que, em tão pouco tempo de carreira, atingiu a estratosfera do sucesso.

RPM_-_Revoluções_Por_MinutoO álbum –  O primeiro disco produzido por Luiz Carlos Maluly e gravado em 24 canais nos estúdios da Transamérica – foi editado em 1985 pela Epic Records, após o lançamento do compacto simples com “Louras geladas”, que só obteve repercussão nas pistas após um remix e a censurada “Revoluções por minuto”. Chegando a marca de 500 mil cópias, foi aclamado pela crítica, e as letras continham teor político, crítica social, amor não correspondido (como visto na bela “A Cruz e a Espada) e investidas de paquera frustradas em “Olhar 43”.

Foi uma explosão. A capa do disco, item de pesquisa sobre a iconografia dos LP’s brasileiros para estudantes da História da Arte foi criada e desenvolvida pelo artista plástico paulista Alex Flemmimg, por meio da serigrafia e caracteres gráficos sobre a foto de Rui Mendes.

Boyband roqueira

Ao contrário do que cantava Rita Lee na música “Ôrra, Meu”, os roqueiros do RPM não tinham cara  e nem jeito de bandido, apesar de terem vivido a máxima “sexo, drogas e rock n’ roll”, como qualquer superstar. Os integrantes eram símbolos sexuais, com apelo digno de uma boyband. A crítica, muitas vezes, comparava-os aos Beatles. Não por sua sonoridade – que era mais voltada ao Duran Duran,Vangelis, Genesis ou The Police, misturando o tecno-pop ao rock com muitos teclados e sintetizadores que antes tinha um formato acústico 4×4 com guitarra, baixo, bateria – mas pelo clamor e o delírio do público. O RPM virou uma mania, um fenômeno. Eles incorporaram o mito do rock’n roll com destaque de milhões de discos vendidos, efeitos cênicos  e fãs ensandecidos.

Mixto Quente RPM 86 04
Paulo Ricardo e Fernando Deluqui no Programa “Mixto Quente”/Fevereiro de 1986

A exposição midiática e o excesso de ambição demoliram o futuro promissor da banda, que gerou, nos anos 80, apenas três LP’s. Não suportaram a pressão. Apesar da curta duração, o primeiro disco do quarteto não passou batido, pois estará sempre presente em qualquer antologia dedicada ao rock nacional, tamanha a sua influência e contribuição para a cultura musical brasileira de sua época.

 

 

Relembre os sucessos do passado com a Nossa Senhora do Comeback, a coluna musical d’Os Entendidos.

 

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