Prince sobe ao céu em nuvens púrpura

Prince sobe ao céu em nuvens púrpura

Todos foram pegos de surpresa: A notícia do falecimento do cantor Prince, estrela máxima da música pop americana mais parecia uma pegadinha da internet. Conforme depoimentos da classe artística sobre sua morte foram pipocando nas redes sociais, mais era certeza que o príncipe púrpura havia dado adeus aos 57 anos. Ele foi encontrado já sem vida em sua casa, Pasley Park em Minnesota, caído no elevador.

nossa senhora do comebackProvavelmente por não mais frequentar as paradas de sucesso como em tempos áureos, onde números são erroneamente usados para relativizar talento, a nova geração desconheça a grandiosidade deste ser elementar que ganhou êxito a nível internacional graças ao premiadíssimo “Purple Rain” (1984), que o içou à status de ídolo. A partir deste filme, que lhe rendeu um Oscar por melhor trilha sonora, é que Prince se tornou tão grande quanto Michael Jackson, despertando o interesse de vários outros artistas para dividirem parcerias. Para algumas, Prince concedeu liberação para releitura de faixas como “I feel for you” para Chaka Khan, “When you were mine” para Cyndi Lauper e “The beautiful ones” para Mariah Carey ou deu pérolas inéditas para Sinead O’ Connor, “Nothing compares 2 U” ou “With this tear” para Celine Dion. Com outras, Prince colaborou lado a lado. Apesar de não ser a canção mais genial de ambos, “Love song” , parceria com Madonna para o álbum “Like A Prayer” por si só já um marco por termos dois gigantes da música dividindo ali suas desilusões amorosas. Outra sortuda foi Kate Bush: Prince participou tocando guitarra e fazendo vocais em “Why should I love you” no álbum “The Red Shoes/1994”. Tudo isto para que se perceba o quanto Prince era admirado por seus contemporâneos.

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Prince era oriundo da cena musical de Minneapolis. Desde 1978 ajudou a popularizar um estilo de se fazer funk que muito beneficiou Janet Jackson na feitura do álbum “Control”. Se tornou uma figura controversa e provocativa por caminhar entre os gêneros masculino e feminino e escrever letras com alto teor erótico, sem definir ao certo a qual público se referia. Logo os rumores sobre sua orientação sexual passaram a ser mais recorrentes que sua música, a ponto do Prince questionar estes valores sociais por seu comportamento ambíguo.

Sua resposta se ouve em duas faixas: “Uptown”, do seu 3° disco “Dirty Mind/1980” – De onde eu venho/Não deixamos a sociedade nos dizer como devemos ser – e em “Controversy/1981” – As pessoas dizem que sou rude/Quem dera todos andassem nus/Quem dera não houvesse preto ou branco/Quem dera não existissem regras. Essa necessidade em romper padrões e barreiras o acompanharia por muito tempo, principalmente por ter o hábito de editar faixas eleitas como singles dos seus discos com maior tempo de duração, ou, entrar em disputa com sua gravadora por royalties e promoções que julgava estar aquém do seu passe, a ponto de não permitir o crédito do seu nome em seus álbuns, substituindo por um símbolo. Seus shows, videoclipes e aparições em TV são rapidamente excluídas das redes sociais e por não concordar com a forma como o iTunes repassa os royalties de venda por streaming, sua discografia também foi retirada destas plataformas, tornando sua obra cada vez mais restrita. O cantor não autoriza o uso de sua imagem e de sua música sem aviso prévio. Prince chegou a processar usuários do YouTube por compartilhamento indevido.

Perfeccionista por natureza, Prince, desde o começo de sua carreira demonstrou autonomia. Gravou sozinho o seu primeiro disco, “For You” (1978), tocando todos os instrumentos. Guitarrista virtuoso, está entre os cem maiores de todos os tempos de acordo à revista “Rolling Stone”, além de ser um exímio dançarino. Vê-lo em cena com certeza motivou Michael Jackson a propor um duelo em “Bad”, ao qual Prince recusou por achar o verso “Teu rabo é meu” ofensivo.

Que o tempo faça justiça ao seu legado e que sua trajetória sirva de inspiração para a próxima levada de artistas que virá. Prince sai de cena envolto em nuvens púrpura com uma obra inestimável que mostra o motivo de ser considerado um gênio.

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