Mutações da literatura no século XXI, Leyla Perrone-Moisés

Mutações da literatura no século XXI, Leyla Perrone-Moisés

Neste mais novo livro de Leyla Perrone-Moisés, professora emérita da FFLCH da USP, e publicado pela Companhia das Letras, há uma busca pela compreensão das mudanças pelas quais a Literatura tem passado já nesse início de século.

Estante2A obra encontra-se dividida em duas partes. A primeira, intitulada de ‘Mutações literárias e culturais’, inicia pelo famigerado anúncio do fim da literatura, que vira e mexe é propagado por aí; e segue refletindo sobre cultura contemporânea, pós-modernismo literário, herança literária, a questão da crítica e do ensino.

É aqui que ela vai lançar a base para as reflexões feitas na segunda parte, que é justamente de contrapor, a partir do passado, do já produzido; para se compreender ou pelo menos perceber o que, para nós, ainda é relevante nas produções literárias e as mudanças feitas a partir da modernidade.

Perrone-Moisés, para isso, questiona o sentido que damos para literatura, conceito ainda entendido como o modelo do século XIX, e que se desdobra não só no modo como entendemos o papel do crítico literário e do ensino, o que se mostra como um anacronismo; dentre outras tantas possibilidades e desdobramentos desta maneira de se entender a literatura.

Como dito anteriormente, essa primeira parte é o alicerce para as análises que serão feitas na segunda parte do livro, em que a autora trata de assuntos como ‘nova teoria do romance’, ‘escritores como personagens de ficção’, ‘romances calhamaços’ e o papel dado aos romances de tradição romântica e sua efetivação nos tempos atuais, dentre outros.

A conclusão a que chego, de tudo o que Perrone-Moisés discorre, é que, embora haja mudanças no literário, toda ela é, ainda, herdeira de uma tradição que veio antes, seja para afirmá-la ou negá-la; de que nesses últimos tempos, a mudança que se deu foi dos temas tratados, muito mais do que de forma, que as mudanças continuam, ainda que não mais sistematizadas por movimentos e que, ainda que se pense a literatura com um certo pessimismo, que advém desde o pós-guerra e se intensifica com os diversos conflitos de nosso tempo, a literatura permanece, porque há ainda leitores, que independem de serem aqueles leitores ideais, que se querem eruditos, e sim daqueles que, incluindo os leitores considerados medianos, fazem da leitura uma atividade de prazer.

E todas as considerações da autora são incríveis. Se na primeira parte ela nos propões perguntas e reflexões, inclusive sobre o papel dos críticos literários de internet, na segunda, ao fazer diversas análises, nos leva a passear por diversas sugestões de obras contemporâneas, instigando-nos a vontade de lê-las.

Por fim, o trabalho ao qual Leyla Perrone-Moisés se lançou neste livro, mesmo que não dos mais fáceis, tendo em vista que analisar algo que está em curso não nos permite o distanciamento necessário, é realizado com maestria e com a segurança e precisão de quem há anos se dedica aos estudos literários.

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