FAITH: Quando George Michael virou ícone!

FAITH: Quando George Michael virou ícone!

No apagar das luzes de 2016, a música pop internacional sofreu mais uma baixa: faleceu em pleno Natal o cantor George Michael aos 53 anos, pegando todos de surpresa. Sem maiores detalhes, nem explicações, apenas uma nota de sua assessoria pediu privacidade e respeito à dor da família. Não se sabe até o momento se ele sofria de alguma enfermidade, mas seu agente, Michael Lippman, afirmou que o cantor teve uma insuficiência cardíaca. Enquanto as causas não são esclarecidas, a coluna “Nossa Senhora do Comeback” revisita o álbum “Faith”, momento em que decidiu finalizar suas atividades no grupo Wham! para uma bem sucedida carreira solo.

nossa senhora do comebackGeorge já havia dado provas de sua competência como autor de sucessos e não o bastante, assumiu a direção dos álbuns enquanto integrante do “Wham“!, grupo que o içou ao status de superstar na década de 80. Mas não o suficiente para calar os críticos. Apesar do sucesso comercial de “Make It Big” (1984), álbum que rendeu hits como “Make me up before you go-go” e a baba-romântica “Careless whisper“, a crítica não levava a dupla muito à sério, pelo apelo excessivamente pop. Eram considerados bobos e não havia muita expectativa sobre a longevidade deles. Esta insatisfação frente à crítica fez com que George reavaliasse seu trabalho. Decidiu que era o momento de  encerrar a parceria com o colega Andrew Ridgeley para seguir sozinho.

Faith 

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Até o disco ser lançado em outubro de 1987, George levaria algum tempo para adquirir a confiança necessária para editar seu primeiro álbum solo. Esteve trabalhando em estúdio com Elton John fazendo vocais para “Nikita“. Neste ínterim, o produtor Narada Michael Walden o convidou para participar do álbum da Aretha Franklin, fazendo um dueto. A música era “I knew you were waiting“. Para Aretha, foi importante para aproximá-la de um público mais jovem. Para ele a transição perfeita para um som mais adulto, com a promessa de que o melhor ainda estava por vir. A canção foi um sucesso, a ponto de faturar um Grammy em 1988 na categoria “Melhor Performance de R&B Feita a Duo ou Grupo“.

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Tal qual “Bad” do Michael Jackson, George precisava soar mais agressivo. A mudança da imagem ajudou neste processo. Para isso contou com os seguintes itens: Calça jeans colada, camiseta regata branca, jaqueta de couro preta, óculos Ray-Ban, um vistoso topete e um corpo em forma fizeram-no parecer um James Dean da década 80, ou, um John Travolta atualizado de sua fase “Grease“. George exalava virilidade, era sexy e provocativo e não fazia questão de disfarçar suas ambições: Ele queria ser grande. E com “Faith” ele conseguiu se estabelecer como um dos grandes ícones pop da década. A presença da coreógrafa Paula Abdul também foi importante : Foi com ela que George aprendeu a fazer os movimentos certos em cena para levar homens e mulheres ao delírio em suas apresentações ao vivo e em vídeo.
Os hits
1 – Como anunciasse o seu plano para conquistar a garota que tanto mexe com a sua libido, a faixa que deu título ao disco tem pitadas de rockabilly, gospel e funk. A introdução nada mais é do que um repeteco de “Freedom” do Wham!, dando a entender que é hora do distanciamento dos tempos de outrora. É perceptível a mudança do registro vocal de George, mais sussurrada, sedutora, como se cantasse ao pé da orelha, roçando sua barba. Mesmo que o receio de se envolver, com o risco de ter seu coração partido pelos jogos que tanto ele e a garota desejada conhecem bem, a sua fé o faz querer superar a barreira do sexo para, enfim, conquistar seu coração.
2 – “Father figure” foi uma das canções mais bem sucedidas de “Faith“. Aqui no Brasil, logo foi eleita para ingressar na trilha sonora da novela “Vale Tudo” exibida pela Rede Globo em 1988. Aqui, George não promete estripulias sexuais, mas sim, sugere ser o par perfeito para ser tudo o que o seu amor precisa: O irmão, o professor, o pai, a protegendo, a guiando, servindo de fato como a figura paterna.

3- “I want your sex” – “Sexo é natural/ Sexo é bom/ Nem todos fazem/Mas todos deveriam fazer/Sexo é divertido/Sexo é melhor quando feito a dois”. Quando esta música foi lançada, George enfrentou sérios problemas com a censura tal qual seus contemporâneos Prince e Madonna, principalmente, numa época em que a AIDS se espalhava e pouco se sabia sobre a doença. Michael foi acusado de promover o sexo livre e promíscuo. Em resposta, é possível ver no vídeo que George defende a monogamia, apesar disso não significar sexo seguro. Mesmo com a controvérsia, o single vendeu só nos Estados Unidos 1 milhão de cópias.

4 – One more try:  Outra balada radiofônica considerada um clássico de “Faith“, com uma de suas interpretações mais dolentes. George expressa relutância ao entrar em uma nova relação por experiências ruins que o fizeram sofrer. No fim, já vencido, decide se dar uma nova chance. Foi uma de suas canções mais regravadas. A última foi feita pela Mariah Carey em 2014.

5 – Monkey – George contou que ficou encantado com a produção de Jimmy Jam e Terry Lewis para a faixa “Nasty”  do álbum “Control” de Janet Jackson  e convidou-os para produzir esta faixa de teor mais ácido. “Monkey” é uma gíria usada para quem é viciado em drogas. Na letra, George questiona se ela prefere estar com ele ou se prefere se deixar levar pelo vício.

6- Kissing a fool – Sofisticada ao extremo, esta balada de contorno jazzístico com mínima instrumentação foi a última faixa usada para promover o álbum “Faith“. Destoante do resto das canções que possuem pegada synth-pop, George demonstrou versatilidade para cantar outros gêneros. Esta música chegou a ser revisitada por Michael Bublé em 2003.

O disco “Faith” retrata um momento mágico e feliz da carreira de George, onde os seus múltiplos talentos o transformaram em um ídolo pop na década de 80, tão grande quanto os seus contemporâneos. Comprovou maturidade artística e consciência do quanto era capaz de se comunicar com o público, aliando sex-appeal e músicas impactantes com identidade própria.  George partiu deixando uma lacuna irreparável. Dona Morte em 2016 foi impiedosa com nossos artistas.

 

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