Lançamento da candidatura de Indianarae é um padê para Exu

Lançamento da candidatura de Indianarae é um padê para Exu

Adrenalina, sensualidade, travestis, bichas afeminadas, um ambiente majoritariamente feminino e negro e com política radical. É nesse “bas-fond” que Indianarae mais uma vez se energiza este fim de semana para disputar a consciência do restante da cidade em uma eleição.

Na Lapa, como sempre. No Beco do Rato, como de costume. O local da boemia suspende por algumas horas a violência de gênero e o racismo ao redor, por algumas horas é a própria maioria que dita as regras, e Indianarae é como a dona da Casa.

Ela é mãe e madrinha de várias. Muitos dos convidados já são antigos frequentadores que fizeram amizades. E os curiosos não falham de chegar, reprimidos nas suas vidas particulares, o oásis de liberdade se parece um parque de diversões para eles.

A confluência de antigos degenerados e pederastas para os mesmos guetos dos desempregados, dos racializados, dos fiés das religiões de matriz africana, transformou em idioma de travestis o pajubá, um sincretismo do português com iorubá, o pretoGAYS de Lelía Gonzalez. E os rituais de lançamento de uma candidatura importante deste ambiente do bafón, não por acaso, se parecem com o culto dos orixás.

Estão presentes Exu, Maria Padilha e seu Zé Pilantra. Indianarae é quem os recebe. E o pano vermelho do partido dos trabalhadores, o mais odiado por 11 em cada 10 racistas brasileiros, é a decoração até mesmo das mesas onde se colocam os copos de cerveja. A alegria é uma oferta à vida!

Rodrigo Veloso
Escrito por:

Rodrigo Veloso

Rodrigo Luis Veloso é mestrando em sociologia e pesquisador na Universidade Federal Fluminense e do Movimento Unificado pela Diversidade (MUDi)

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